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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Pré-estreia do documentário José Guilherme Merquior – paixão pela razão! e lançamento de Formalismo e tradição moderna

Logo após ter assistido ao José Guilherme Merquior – paixão pela razão!, não me contive e confessei ao Edson Manoel de Oliveira Filho, editor da É Realizações: “Estou muito... muito emocionado.” Com este sentimento, ainda vivo em mim passados quatro dias da pré-estreia em São Paulo, peço que me permitam noticiar como foi o evento de maneira mais pessoal e subjetiva do que o costume neste blog.

De início, destaco a surpreendente heterogeneidade – e não somente etária – do público ali presente, o que comprova a vitalidade e dimensiona o alcance do pensamento de Merquior. Localizado à rua França Pinto, 498, o aconchegante espaço da É Realizações recepcionou oferecendo, como aperitivo, não apenas o que os garçons traziam nas bandejas: podia-se degustar também retratos do grande pensador, antiga reportagem de jornal com entrevista histórica, realizada no início do governo Sarney, e amostra da farta correspondência do autor com, dentre outros nomes, Carlos Drummond de Andrade, Antonio Candido, Luiz Costa Lima, Leandro Konder e Glauber Rocha. Abrilhantou ainda mais o evento a presença de familiares do diplomata e membro da Academia Brasileira de Letras: a filha Julia Merquior, o irmão Carlos Augusto Merquior e a sobrinha Helena Merquior.

Foi exibido vídeo institucional, parte das comemorações dos 15 anos da É Realizações, ao qual se seguiu, pode-se dizer, uma aula de João Cezar de Castro Rocha sobre Formalismo e tradição moderna, mais recente lançamento da Biblioteca José Guilherme Merquior, publicada pela editora paulista. O professor da UERJ e coordenador desse projeto editorial situou o livro – sua primeira edição data de 1974 – junto com Razão do poema (1965) e O liberalismo: antigo e moderno (1991), como manifestação enfática do posicionamento crítico e visionário do autor frente ao diagnóstico de uma crise da cultura, cujos efeitos seriam sentidos mais hoje do que décadas atrás. Castro Rocha ainda defendeu a funcionalidade de se comparar o Formalismo e tradição moderna, para efeitos de uma contextualização não limitada à esfera nacional, com dois outros livros publicados no mesmo ano: Os filhos do barro, do mexicano Octavio Paz, e Teoria da vanguarda, do alemão Peter Bürger. Nessa perspectiva, o Professor concluiu que José Guilherme Merquior foi um dos maiores pensadores ocidentais da segunda metade do século XX.

Quanto ao documentário, que se impõe desde já como uma das peças fundamentais da história do pensamento merquioriano, a produção de cerca de meia hora conta com depoimentos de Celso Lafer, Nélida Piñon, Alberto da Costa e Silva, José Mario Pereira, Julia Merquior e comentários de João Cezar de Castro Rocha. Particularmente me comoveu a oportunidade de, pela primeira vez, ver e ouvir José Guilherme Merquior falar, em trechos de entrevista televisionada de raro acesso, mesmo nesta era do Youtube. Vale noticiar que rasgos irônicos de Merquior, ao por exemplo concordar que parecia ter lido mais sobre psicanálise do que indignados interlocutores numa certa polêmica acerca do assunto, arrancaram irresistíveis gargalhadas do público.

Prof. Adriano Drummond
 
Representando o GEM, estivemos presentes na pré-estreia do documentário e lançamento do livro a licenciada em Letras Thaís Amélia Araújo Rodrigues e eu, coordenador do Grupo.
Não consigo resistir à tentação de dizer que Julia Merquior, Carlos Augusto Merquior e Helena Merquior são pessoas adoráveis, assim como João Cezar de Castro Rocha e Edson Manoel de Oliveira Filho.
 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

É Realizações convida GEM para pré-estreia de documentário e lançamento de livro

É com alegria e orgulho, desmedidos, que noticiamos que a editora É Realizações, na pessoa de Fernanda Santos (gerente de marketing), convidou o Grupo de Estudos Merquiorianos para estarmos presentes na pré-estreia do documentário José Guilherme Merquior – paixão pela razão e lançamento do livro Formalismo e tradição moderna. O evento ocorrerá, neste mês, dia 17 no Rio de Janeiro-RJ e dia 24 em São Paulo-SP.

O GEM não faltará ao compromisso, no prazer de testemunhar e participar de episódio que marcará a história do pensamento de Merquior no Brasil.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Um poema de Érico Nogueira


Porque o contentamento
não há de ser luxúria ou celibato;
mas antes o momento
do fogo mais sensato
que aclara e decompõe no mesmo ato;

de um fogo que é azul
como é a água além, o ar no céu
e a terra bem ao sul:
que muito bem ardeu
se soube conhecer o que perdeu;

e hoje é como a lua,
não como o sol incômodo e insolente:
e antes insinua
o mundo que é latente
do que disseca o que era ocultamente;

é pensamento e vida
que se fundiram num feliz abraço
e fazem-se guarida:
no frio ela é regaço,
no escuro ele dirige cada passo.

*
*         *

O poema acima, sem título, consta do livro Dois, publicado pela É Realizações em 2010, e trata-se do penúltimo volume de poesias do autor. Érico Nogueira, jovem poeta, nasceu em Bragança Paulista; é formado em Filosofia e doutor em Letras Clássicas; leciona na Universidade Federal de São Paulo.
O tom clássico e a concepção neo-iluminista desses seus versos têm qualquer afinidade com a obra de José Guilherme Merquior, "artista" de "dissecar o que era ocultamente", impelido pelo pensamento que "no escuro dirige cada passo". 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Folha de São Paulo homenageia José Guilherme Merquior



Domigo passado (23 de agosto), o caderno Ilustríssima da Folha de São Paulo publicou textos em torno da biografia e da obra de José Guilherme Merquior. Há entrevista com João Cezar de Castro Rocha, coordenador da republicação dos livros do ensaísta e diplomata pela editora É Realizações, depoimentos de Nelson Ascher (http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2015/08/1671789-a-canonizacao-do-bom-reaca.shtml) e de Roberto Schwarz (http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2015/08/1671790-atrevido-merquior-foi-uma-figura-central.shtml), além de artigo de Marco Rodrigo Almeida (http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2015/08/1671785-merquior-o-conformista-combativo.shtml).


Destaque para a belíssima arte de Zé Otávio, reproduzida no post e extraída do site do jornal paulista.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Lançamento de livro: Formalismo e tradição moderna, 2a ed. (José Guilherme Merquior)



Está previsto para hoje o lançamento da 2ª edição de Formalismo e tradição moderna: o problema da arte na crise da cultura, o sexto volume da Biblioteca José Guilherme Merquior que vem sendo publicada pela É Realizações, sob coordenação do prof. Dr. João Cezar de Castro Rocha. Primeiramente publicado em 1974, o livro contém ensaios-chave do pensamento crítico merquioriano, como o de abertura, “Kitsch e antikitsch”. A proposta geral do autor nessa coletânea de textos, conforme esclarece em nota, é de iluminar e problematizar a separação entre a alienação formalista e a postura crítica da arte na tradição moderna, que remontaria, especialmente, à obra do alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832).
Disponível para pré-venda no site da editora http://www.erealizacoes.com.br/produto/formalismo-e-tradicao-moderna---o-problema-da-arte-na-crise-da-cultura